terça-feira, 25 de agosto de 2009

que loucuras farias...?

palavras escritas…
quem pode determinar seu valor? limitar seu preço?
apenas porque recebidas longe do olhar… longe do toque…
do arrepio provocado pela emoção dos sentidos…
quem lhes pode negar a grandeza?
quando firmadas em alicerces de verdade…
envoltas no anseio da partilha de quem se permite bem-querer…
palavras confinadas entre duas solidões que se atraem e se confundem numa alma…
num sonho de beleza rara, porque pura…
palavras que se deleitam em sentires da vida cobertos de poesia…
palavras que nascem do abandono ao sentir…
da entrega total de quem se rende à verdade encerrada no compasso, de novo apressado,
do coração…
cresce, com elas, vontade de mais…
da segurança escrita por olhares cúmplices… do toque aconchegante da proximidade…
do som da voz que acalma…
cresce com elas a certeza do valor recíproco do sentimento…
de todas as certezas do mundo…de todas as incertezas da alma…
e… que loucuras farias… pelo compasso ritmado de doces palavras?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

...

***
estranha coisa esta…
o dia geme
geme e retorce-se
agonizante
amargo
húmido de água e sal
e rasga a carne
(porque sim)
sobe comigo o penedo
vestido de angústia
em longo lamento
respira comigo
o ar viciado
da Terra
e…
pergunta
“porquê?”
***

sexta-feira, 24 de julho de 2009

enleia-me...


***
a noite entra pela casa como nunca tinha entrado
misteriosa… quente…
um vento gostoso toca-me o corpo e a alma
deixando um arrepio de gelo
e tornando o momento quase místico
penso-te aqui
desejo-te mais que ontem
mais que sempre
desejo-te até me doer o corpo de te esperar
o meu desejo enche a noite
e derrama suspiros de impaciência
vem depressa
quero-te para mim
quero-te para sempre
aqui… comigo… neste lado da vida
e cresces na noite envolvendo-a com teu novo brilho
com teu novo alento
cresces a meus olhos
enleias-me em teias de amor…
enleias-me nos teus braços
contigo cresce também o amor… …
até derramar
pela casa
pela rua
pela cama
...
estamos juntos por fim

***

segunda-feira, 13 de julho de 2009

fotografia a preto e branco

...
vivo uma saudade a preto e branco
feita de sonhos forjados do outro lado da vida
olhos parados em nova mensagem
mãos em força de quem é… amor…

o silêncio reina
no espaço onde já reinaram as palavras
recolho migalhas de mesa farta
nos minutos que ganho sabendo-te aí
aí… tão perto fica o aqui
que me aparta deste sonho
tecido a preto e branco

e assim te desenho de novo
sem linhas sem sinais sem pontos
apenas saudade nua
de um pouco mais de ti
...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

um novelo de nós

…
infinitamente presa nas teias deste sonho
um novelo feito de nós
nós dois… apertados
sem distância
sem fronteiras

porquê…?
porque me foi reservado este sentir
este laço que me prende
e me engana
porque quero
porque deixo

e descubro que tudo é possível
que sou capaz do inusitado
por um novelo feito de nós
ou de mim… em delírio consentido

procuro recuperar… o que nunca perdi
porque nunca tive
quanto mais luto… mais presa fico
como em lamaçal… pântano movediço
areias que me levam … à terra que me quer

esqueci como se vive
sem memória desse olhar
lindo… calmo… solto
guardo a voz que ouvi
como uma canção perfeita
em ritmo e harmonia
guardo o olhar em movimento
o sorriso doce

e guardo o abraço
apenas no desejo
de um novelo feito de nós
preso nas teias de um sonho
…

sexta-feira, 19 de junho de 2009

...
abracei a liberdade num sopro de vento
E voei
voei sem amarras… sem âncoras… sem correntes
voei nas asas do meu sonho
como quem vive o primeiro momento de luz
como quem respira o primeiro ar
como quem ama a primeira vez
e roubei a ilusão à fantasia
para apertá-la contra mim
e fazê-la corpo do meu corpo
alma da minha alma
voltei a página de um conto sombrio
e… estavas lá…
sempre estiveste lá
porque fazes parte de mim
...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Nas asas de outro sonho

…
não, não sou ninguém
vagueio entre gente como sombra
mas não sou ninguém

rasgo a terra com mãos doridas
arranho a vida com unhas de raiva
Mas não sou ninguém

mordo os lábios… Sangro a alma
vingo a indiferença … cavo preconceitos
mas não sou ninguém

não sou ninguém
nem sou de ninguém
sonho e vivo de sonhar

e quando o sonho definha
feneço com ele
para renascer nas asas de outro sonho
…